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girl on film

10
Jun13

Um filme, uma mulher. Texto final



Antes de mais, um grande obrigado ao Duarte Lázaro e ao Joaquim Matos pela paciência gráfica, e por me terem facultado as ferramentas que permitiram dotar a iniciativa de algum aprumo estético. 
Depois, um GRANDE obrigado aos 41 participantes da iniciativa "Um filme, uma Mulher". Confesso que não esperava tantas respostas positivas, nem tanta participação por parte daqueles que convidei.
Foi com muito carinho que percebi esta iniciativa também serviu para dar a conhecer blogs que muitos desconheciam e que de certa forma, provou que a comunidade de bloggers cinéfilos é unida à sua forma, seja pela partilha, por um comentário ou por um simples "like". 
Obrigado por terem perdido tempo comigo, foi um gosto recebe-los cá em casa. Tenho  plena consciência que me esqueci de convidar muitos e a esses peço uma sentida desculpa. Sei que não tenho comentado os textos publicados, mas os dias de 24 horas, têm sido muito curtos.
Àqueles que convidei e que não puderam participar, deixo também, um obrigado. Tenho a certeza que novas oportunidades acontecerão, seja neste espaço, seja nos vossos.
Uma palavra também, àqueles que convidei e não responderam - estejam certos, que até um não, teria sido bem aceite. 

Durante 4 semanas passaram por este blog, mulheres que se destacaram no Cinema. Algumas por serem femmes fatales, outras por serem destemidas  outras por serem mães, outras amantes, outras por simpatias fervorosas e causas cinematográficas. Umas oriundas de um cinema mais comercial outras com características mais eruditas, mas todas elas Mulheres.
Aqueles que me conhecem melhor, sabem que não sou de todo feminista, sou sim, uma defensora da igualdade entre sexos. E não foi, de todo, com o propósito extremista da causa feminina que pensei esta iniciativa. O propósito prendeu-se sobretudo com o titulo do blog (sim a música dos Duran Duran, com um "s" a menos) e pelas características e cunho feminino que tento sempre dar a este espaço. Infelizmente, como repararam, a participação de bloggers femininas nesta iniciativa, foi muito reduzida. É um facto que somos poucas, mas creio que significativas - e cada uma de forma peculiar.

-- // -- 



Escolher uma mulher para falar não foi fácil. Pensei numa abordagem romântica, pensei numa louca, numa doente, numa guerreira, etc. etc. etc. Por fim, resolvi que a eleita devia ser alguém que marcou a História e que não foi ignorada pelo Cinema.

Obrigado a uma grande mulher, a Telma de Mattos Ruas, a minha professora de História Institucional e Política da Idade Moderna, por me ter feito apaixonar por esta época histórica e sobretudo por me dar a conhecer Catarina de Médicis.

Assim sendo, o filme é La Reine Margot. A mulher: Catarina de Médicis.



A Mulher mais óbvia para abordar neste filme seria Margarida de Valois, mas na tabela de avaliação de Mulheres com "M" grande, a sua mãe, vence com muitos pontos de avanço.
É claro que uma abordagem cinematográfica a uma figura histórica real, tem sempre os exageros óbvios, por se tratar de um filme. Mas o filme não exagera quando retrata Catarina como uma estratega politica, militar e sobretudo matriarca temível.
No entanto, o filme de Patrice Chéreau não é baseado em factos ou fontes históricas, mas sim na obra La Reine Margot de Alexandre Dumas, o primeiro de uma série de livros baseados na família Valois. 



«Henri vit ce sourire et reconnut que c’était Catherine surtout qu’il fallait combattre. “Madame, lui dit-il, tout vient de vous, je le vois bien, et rien de mon beau-frère Charles; c’est vous qui avez eu l’idée de m’attirer dans un piège; c’est vous qui avez pensé à faire de votre fille l’appât qui devait nous perdre tous; c’est vous qui m’avez séparé de ma femme, pour qu’elle n’eût pas l’ennui de me voir tuer sous ses yeux…» 
  • La Reine Margot, Alexandre Dumas /1845 
  • Virna Lisi, La Reine Margot, Patrice Chéreau / 1994


A Catarina do filme (interpretada pela musa italiana Virna Lisi) é uma mulher que já passou por muito. De origem italiana, filha de Lorenzo de Médici, Duque de Urbino e Madalena de la Tour-d'Auvergne, Condessa de Auvergne. Casou aos 14 anos, com Henrique, filho do rei Francisco I de França. Foi mãe de dez filhos, entre eles os futuros reis Francisco II,  Carlos IX e Henrique III
Francisco II morre de otite em 1559 e o trono de França passou sucessivamente para Catarina de Médicis, que foi rainha regente enquanto os filhos eram menores. Exerceu grande influencia no reinado de Henrique II (o seu marido) e dos filhos Francisco II, Carlos IX e Henrique III.

1572

A França é palco de um cenário de guerras religiosas - católicos versus protestantes.
Carlos IX foi nomeado rei aos 10 anos, sendo que é a sua mãe que detém o poder até à sua maioridade. O rei cresce e a História avança. Ao longo de todos estes anos, Catarina esforça-se por travar os conflitos religiosos que dividem o país, procurando manter uma relação diplomática com os protestantes (ou huguenotes), liderados por Gaspar de Coligny, e com os católicos, liderados pela casa de Guise. Coligny era um almirante francês que tinha grande influência sobre o rei Carlos IX. O Rei considerava-o um "pai". 





Catarina, de forma a conseguir paz, forja uma aliança - o casamento da sua filha Margarida de Valois (Isabelle Adjanicom o primo, Henrique de Bourbon (Daniel Auteuil), então rei de Navarra (futuro Rei de França - Henrique IV). Esta foi uma manobra politica e diplomática tão descarada que até os menos atentos, perceberam as verdadeiras intenções. 
Mas a guerra contra a França católica já esta a ser preparada por Coligny e afinal, o casamento torna-se nada mais, nada menos, do que uma armadilha planeada pelos católicos contra os protestantes. 




Paris estava a ser assolada por um calor tórrido. A 18 de Agosto, os protestantes das províncias começam a chegar à cidade para assistir ao casamento. Vestidos de preto invadem ruas e ruelas, em clara atitude de provocação. E o casamento que se pretendia ser um primeiro passo para a paz torna-se, na verdade, um detonador para um dos maiores massacres da história de França. Entre 23 e 24 de Agosto, em Paris, no dia de São Bartolomeu, ocorre o Massacre da Noite de São Bartolomeu e durante esta noite quase todos os protestantes que estavam em Paris por causa do casamento, foram dizimados brutalmente. 




A crueldade da cena do casamento de Margarida é representativa daquilo que se chamava diplomacia. É que a matriarca da família Médicis era mãe dos seus filhos mas também era mãe de uma nação que estava a desmoronar-se com o surgir de novos ideais religiosos e humanistas. Se Isabel I foi a "rainha virgem", Catarina de Médicis, foi a "regente viúva". Ambas casaram com o país. 
O filme arrisca e vai mais além, abordando alguns pontos de promiscuidade na família que incluem incesto e pedofilia. Catarina foi fria, calculista, déspota, austera. Ditadora, dotada de poucos escrúpulos, colocou a família (para os mais românticos) e o reinado (para os mais realistas), sempre à frente de tudo e nunca olhava a meios para atingir fins. Rodeava-se de pessoas importantes da corte, de perfumistas e envenenadores, sendo que uma das suas mortes encomendadas mais famosas, foi a de Margarida de Navarra (mãe daquele que viria a ser seu genro).
Os interesses de França eram os mesmos da Casa Real e portanto, Catarina fez tudo pelos seus, até - segundo reza a História - matou alguns deles. 



"Celle qui donne le jour n'est
plus la mêre de celui qui l'a reçu."
Carlos IX, La Reine Margot, Patrice Chéreau / 1994

La Reine Margot alcançou o estatuto de drama épico francês ao abordar o "jogo" político e religioso da França Moderna. Nos holofotes está Margarida, mas no centro do turbilhão de maldade e de traição está Catarina. O filme de Patrice Chéreau é um deleite cinematográfico, pelos cenários (que incluem o Convento de Mafra), pelas roupas e caracterização, pelas intrigas palacianas explicadas num argumento que talvez não seja fácil de seguir, sem um conhecimento prévio da História. É um daqueles filmes, que considero "documento". La Reine Margot foi muito premiado - incluindo o Prémio Especial do Júri em Cannes, mas foi Virna Lisi a sua estrela principal. Em 1994, recebeu o prémio de Melhor Actriz no Festival de Cannes e o Prémio César por seu trabalho neste filme.




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