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girl on film

16
Mai13

Um Filme, uma Mulher. Por André Marques






Filme: Dogville. Mulher:  Grace

Von Trier, Kidman, Grace e Dogville. Para quem possa desconhecer estas palavras, elas são referência ao filme de 2003 realizado pelo dinamarquês Lars Von Trier, que retrata a vida de uma aldeia após a chegada da estranha, mas aparentemente ingénua, Grace, e com esse acontecimento é revelada a verdadeira essência daquele local, assim como de cada uma das personagens, incluindo a própria (frágil) Grace. (Para quem não viu o filme, aconselho vivamente a que o faça).

É com este filme e personagem que pretendo abordar o tema proposto, sobre o papel da Mulher no Cinema e como esta é retratada por vezes. Aqui, vemos uma personagem feminina inicialmente ingénua, frágil e a necessitar de ajuda, sendo que vai encontrar a segurança necessária no conjunto de aldeões que a abriga, mas com o tempo Grace apercebe-se que o acolhimento inicial trata-se somente de uma máscara social, e vai sendo ao longo do tempo abusada psicológica e fisicamente por praticamente cada um dos aldeões, independentemente das suas características (mulheres, homens e até crianças), sendo que Dogville a trata como uma verdadeira escrava para todas as necessidades da comunidade. Até aqui tudo bem, o Cinema já nos habituou a vermos personagens femininas a serem abusadas a vários níveis e retratadas assim, sendo que nos filmes mais ‘comerciais’ digamos, espera-se sempre que uma personagem-herói, habitualmente do sexo masculino, venha salvar a mulher que se encontra frágil e a necessitar de ajuda, terminando com um genérico happy end, mas em Dogville isso não acontece.

Em Dogville não se avizinha o que aí vem, o final de toda aquela tortura, pois com a chegada de um gang com ar de poucos amigos em busca de Grace, é revelado um pouco do passado da personagem e as suas origens, sendo aqui a figura de herói-salvador retratada pelo pai de Grace, e até aqui tudo continua como esperado, mas eis que um twist final, uma carta fora do baralho é descartada, onde a personagem frágil, desprotegida de Grace toma as rédeas da situação e decide por si mesma transformar Dogville em cinzas, assim como todos os seus habitantes, num acto último de vingança mais cruel, por tudo aquilo que Dogville representa e a fez passar sem qualquer tipo de remorso ou sentimento.

É deveras interessante ver aqui um exemplo de como as personagens femininas no cinema mais moderno, começam a tomar mais vezes posições de poder, vingança e até de vilãs, podendo conjugar isso, por vezes, à sua natureza mais dócil e frágil perante o sexo masculino, mas mesmo assim serem mais fortes e cruéis que certas personagens masculinas. Fazendo agora um salto para o cinema mais comercial deste século, vêem-se também cada vez mais personagens femininas com destaque principal em filmes de acção ou policiais, pois já têm no cinema o estatuto de igualdade a nível de ‘força’ para enfrentar situações perigosas ou adversas, que habitualmente são as personagens masculinas que enfrentam.

E com esta análise termino aqui a minha participação nesta iniciativa deveras interessante que a Sofia me convidou a participar, e não deixo de reforçar que este é um filme que todas as pessoas deveriam ver, pela própria lição de vida e social que é exibida, e pelo marco forte da personagem feminina de Grace tão bem interpretada pela actriz com A grande, Nicole Kidman.




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