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girl on film

25
Jan18

Opinião ▪ The End of The F***ing World. T1



8 episódios, menos de 3 horas em que cada minuto vale a pena.

Baseada na novela gráfica de Charles Forsman, a série The End of The F***ing World, escrita Charlie Covell e realizada por Jonathan Entwistle e Lucy Tcherniak, conta a história de dois adolescentes problemáticos, James (Alex Lawther) e Alyssa (Jessica Barden), e a sua aventura pelo desconhecido. Relata como e por que fugiram de casa, a descoberta dos seus limites, a procura pelo auto-conhecimento e, sobretudo, a sua luta pela sobrevivência.

James e Alyssa formam um estranho duo que, por peculiares circunstâncias, acabam por se conhecer e atrair mutuamente. James acha que é um psicopata e que a rapariga será a sua primeira vítima mortal. Alyssa por sua vez é a (a)típica adolescente que não gosta de nada, de ninguém, sem modos ou educação. Ambos estão assustados e os dois escondem-se perante uma fachada que os encaminha para uma aventura para a qual não estavam preparados. Ao longo dos episódios, é apresentado ao espectador os dois pontos de vista diferentes, dados através de momentos de narração introspetiva dos protagonistas e é nestes momentos que conhecemos o verdadeiro íntimo dos jovens.

As personagens são únicas e a apresentação das mesmas é feita ao longo da série. Aprendemos a conhece-los e a percebe-los. O facto de os episódios serem de curta duração só a engradece. Não há monólogos ou cenas longas, não há momentos aborrecidos nem diálogos que não acrescentam nada à história. Tudo é importante e tudo é complementado com uma realização, edição e música perfeita. É uma espécie de série indie, ou uma espécie de curta ou até mesmo uma peça de teatro. A forma como acontecem os diálogos, o modo como James e Alyssa interagem dão a The End of The F***ing World uma aura única e impossível de encontrar nos projetos denominados mainstream.





A série da Netflix é envolta no estilo dramático que os adolescentes adotam quando acham que a rebelião é a resposta mais atrativa para a fuga à rotina e às normas. De forma pouco agressiva e chocante, o argumento toca em assuntos sensíveis, como a homossexualidade, abusos sexuais, suicídio e abandono. Curiosamente, é no momento em que contactam com o mundo adulto e desconhecido que James e Alyssa, vítimas das circunstâncias, se transformam em infratores.

Ao longo da jornada que a dupla enfrenta, a série canaliza as ansiedades da adolescência por causa de sexo, de estabilidade mental e da aceitação. Cada decisão que tomam piora a sua situação. James percebe que de homicida tem muito pouco e Alyssa aprende que amar é uma escolha e que a confiança e o respeito são possíveis de alcançar, mesmo que as experiencias anteriores não tenham corrido bem. Até então, o mundo que os adolescentes conheciam era o limite das suas próprias experiencias e tudo muda ou termina quando resolvem abandonar as suas limitadas vidas.






Os cenários são usados como reflexo dos sentimentos das personagens. Os espaços urbanos representam a repressão e uma espécie de encarceramento que suscita à fuga. Como contraste, a periferia é um espaço de reflexão, descoberta de emoções e promotor de resoluções. A banda sonora, pensada por Graham Coxon, apoia-se no pop e no rock dos anos 60 e 70 e é uma referência clara aos road movies.

The End of The F***ing World é corajoso e inspirador e alicerçado no medo e de forma contrastante, nas atitudes destemidas com que Alyssa e James dão os primeiros passos para a entrada na idade adulta.


"When you have silence, it's hard to keep stuff out. It's all there, and you can't get rid of it. I used to be able to get rid of things, banish them. But I knew after that day, it wouldn't be so easy any more... I was never Alyssa's protector. She was mine."



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Sofia Santos: agirlonfilm@sapo.pt // blog.girl.on.film@gmail.com

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