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23
Mar14

Opinião | 300: Rise of an Empire | Noam Murro. 2014

Título em Portugal: 300: O Início de Um Império
Data de estreia: 06.03.2014




É muito difícil para alguém de História escrever sobre um filme deste género.  É sobretudo difícil, quando o filme - na sua exuberância gráfica - faz-nos ignorar quase todas e quaisquer imprecisões históricas. Mas 300: Rise of an Empire não foi escrito por Homero e o filme não é a Ilíada ou a Odisseia. Não o pretende ser. 
Quando começaram a surgir boatos sobre a possível sequela de 300, todos tememos o pior. Os 300 de Leónidas, a inovação de Zack Snyder e a inspiração gráfica de Frank Miller era uma ideia que soava a impossível. 
Tudo piorou quando a certeza de que a sequela ia acontecer e de que, na verdade, esta continuidade iria contar a história do antes da gloriosa morte dos espartanos na Batalha de Termópilas. Aliás, contar o antes e voltar à mesma cronologia do primeiro filme. Noam Murro de facto fê-lo. Não foi inteiramente bem sucedido, mas tentou. 

O realizador  voltou a inspirar-se na obra gráfica de Frank Miller. Desta vez o herói central é Temístocles (interpretado por Sullivan Stapleton), o bravo ateniense. O cenário de fundo - as Guerras Médicas ou Guerras Greco-Persas. Os inimigos continuam a ser os persas, mas a Xerxes (Rodrigo Santoro) junta-se Artemísia I de Cária (Eva Green). 
Começamos com a Batalha de Maratona e a morte do grande Dario. Depois viajamos (via narração) para a Batalha de Termópilas e assistimos à batalha naval ocorrida - em simultâneo - em Artemísio. Findamos com a Batalha de Salamina. Um olhar menos atento, não vai ter em conta todas os erros históricos do argumento, mas vai ser graficamente feliz. O espectador mais exigente tem duas escolhas - ou renega e abomina o filme, ou ignora as imprecisões e delicia-se com o aspecto visual e mais valias digitais do filme. Recomendo a segunda opção. Colocar a "História Ciência" na gaveta e permitir um deslumbre pela mitologia clássica. Não é fácil, confesso. 






Esta sequela tem como maestro o quase desconhecido Noam Murro. Snyder assumiu o papel de produtor e co-escritor.
O filme inicia-se com cenas de acção muito semelhantes ao primeiro filme. Os espectadores que não virão o primeiro filme vão ficar chocados e ao mesmo tempo deslumbrados pela forma como decapitados, desmembrados, ensanguentados são colocados no filme. Dispostos como se de um quadro renascentista se tratasse. Uma espécie de "beleza carnal". As cenas em que assistimos em primeira fila a mortes cruéis, são envoltas em planos lentos, misturados com outros de rapidez total mas são sempre envoltos em tons e cores dignas de uma iluminura barroca. 

Não me vou alongar mais e nem sequer vou dotar este texto de grandes detalhes. Cientificamente, não posso. Se fosse exaustiva e correcta cientificamente, teria que arrasar este trabalho de Noam Murro. 300: Rise of an Empire é um amor visual. Aborda uma parte da história clássica difícil de contar e ainda mais difícil de perceber. Peca pela pouca substancia argumentativa, ou então o problema, é que nós os espectadores estamos cada vez mais exigentes. Entre o primeiro 300 e esta sequela, muito aconteceu no cinema e sobretudo na televisão. À História misturou-se a fantasia e ao primeiro filme - o de Snyder - sucedeu-se um Spartacus (série) e até um Game of Thrones. A bravura clássica já não tem o mesmo impacto ou encanto que teve em 1960 com o Spartacus de Stanley Kubrick ou com um Ben-Hur
Mas mesmo assim, sem o factor surpresa ou inovador. Sem o espanto de ver mulheres heroínas e homens com abdominais acentuados, Murro preocupou-se em introduzir a questão da democracia grega, da liberdade e da tirania. 

É um filme a ver. A ver de forma despretensiosa e desprovida de julgamentos científicos. Distrai, mostra homens, heróis e semi-deuses, e numa altura em que o mundo parece perder o seu conceito-base de democracia, saímos do cinema a pensar como tão rapidamente na História a luta de homens pela pátria,  casa-mãe e valores - supostamente imortais - resvalou na pela defesa do próprio umbigo e interesses menores. 


Nota:


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