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girl on film

10
Jul12

Fish Tank (2009) por Sofia




Adolescência - uma das etapas mais difíceis da evolução humana.
Andrea Arnold, a realizadora inglesa, consegue descrever de forma direta, nua e crua a vivência de uma jovem britânica, fruto de uma família disfuncional, sem valores, sem regras, ausente de rotinas, entregue à rua, à delinquência, à bebida e à violência.
Fish Tank retrata a história de Mia Williams (interpretada pela desconhecida Katie Jarvis), uma adolescente de 15 anos, fruto daquilo que a família e a sociedade fez dela.




Muitas vezes vimos na televisão documentários e reportagens sobre a delinquência juvenil, as culpas são sempre as mesmas - o sistema educacional, as famílias, as ruas, os amigos: parece que a solução é sempre a mesma - a institucionalização. Esse sistema de correcção está implícito em Fish Tank, mas permite ir mais além, e facilmente percebemos que na verdade, Mia não é a única a precisar de correcção.
No meio de grandes e profundos distúrbios, Mia é uma criança grande que precisa de atenção. É provocadora, solitária, pouco social, violenta e tem na dança um refúgio pessoal e social.
Na vida mundana e promiscua da mãe entra Connor O'Reily, o charmoso irlandês, interpretado por Michael Fassbender. Connor é alguém aparentemente atento, bem educado e pronto a ajudar. Recebido com alguma desconfiança inicial, depressa começa a ser visto por Mia, pela irmã e pela mãe como alguém que podia salvar esta família desfasada de valores.






Mas na verdade também ele é disfuncional e aquilo que começa por ser um afecto parental entre O'Reiley e Mia, depressa resvala para uma ténue fronteira entre a pedofilia e um "síndrome lolita". A fronteira sentimental é ultrapassada e a relação entre o adulto e a jovem torna-se física. Como a vida de Mia não é fácil, a relação dela com o namorado da mãe também não o é. Connor tem uma vida paralela e aparentemente estável.
A jovem sedenta de afectos tem dificuldade em perceber a gravidade do que aconteceu e numa tentativa de solucionar, chamar a atenção, ganhar amor, segue um percurso onde cada passo é um erro e no meio dos disparates que faz, arrisca mesmo o fim de uma vida humana, mas, por um milagre tudo não acaba em desgraça.




Não é um filme para todos. É violento, cruel e triste num sentido em que aborda uma realidade de que todos conhecemos exemplos. A realizadora é eximia a explorar esta relação entre o real e a ficção.
Este filme de Andrea Arnold arrecadou vários prémios, de que merecem destaque o BAFTA para Melhor Filme Britânico e o Prémio do Júri em Cannes. 




"Writer-director Andrea Arnold has created something so real and raw, you may come away with a twinge of guilty voyeurism, a sense of peering too closely and impolitely into other people's lives (...) "Fish Tank" is hardly an action film, but the drama unfolds like a train wreck waiting to happen, Arnold taking her characters to the brink and beyond as Mia and Connor test the bounds of appropriate behavior involving a teen no longer a girl, not yet a woman (...) The title is appropriate. Arnold's characters are not fish gasping for breath on a creek bank, an image right out of the film. But they do come off as authentic and unaffected, as true to their nature as fish under glass" (fonte: David Germain - Associated Press)

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