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girl on film

29
Dez11

Drive (2011) por Sofia

sofia
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Antes de falar sobre o filme, questiono (mais uma vez): como é que existem pessoas (críticos ou simples amantes de cinema) que argumentam que o cinema deixou de ousar, de criar ou de inovar, que deixou de conseguir criar filmes que podem tocar o patamar "culto", defendendo a ideia de que Hollywood deixou de ter imaginação e que corre sérios riscos de morte... Eis um exemplo que abalou pela positiva a critica. 




Alynda Wheat, People:
"Stylish and intense, with riveting performances... a great piece of Los Angeles noir about an icily controlled stunt/getaway driver... Gosling and Mulligan are magnetic..."

Jessica Winter, Time:
"...a gleaming, goofy action-thriller.... To invest oneself emotionally in the central relationship, or the movie itself, would be akin to investing oneself emotionally in one's car. But when the car looks this good and drives this fast, why not?" 

Christy Lemire, Associated Press: 
"...feels like an homage to early Michael Mann.... oozes sleek '80s style... offers some serious character actors in big, showy supporting performances, which offers the same sort of appealing, startling contrast as the film's violent streak." 

Lisa Schwarzbaum, Entertainment Weekly: 
"...revels in sensory detail; it's a visually and aurally edgy Euro-influenced American genre movie about the coolness of noir-influenced American genre movies about the coolness of driving -- especially in L.A." 

Peter Travers, Rolling Stone: 
"...a brilliant piece of nasty business that races on a B-movie track until it switches to the dizzying fuel of undiluted creativity. Damn, it's good. You can get buzzed just from the fumes coming off this wild thing." 

Claudia Puig, USA Today: 
"The look is artfully stylized, influenced by classic film noir; the mood is dark; the performances nuanced; and the story unnervingly exciting.... Thoroughly immersing..."


Pois é, Nicolas Winding Refn, provou que é possível inovar, supreender e cativar. Drive é inspirado e adaptado dum livro de 2005 de James Sallis com o mesmo título.
A história é verdadeiramente simples - a personagem principal, interpretada por Ryan Gosling tem uma vida dúbia - duplo de cinema, mecânico e condutor de fugas em assaltos. Solitário por natureza, envolve-se por amor num esquema de traições e perseguições que põem em causa a sua vida, mas sobretudo a vida da mulher  por quem se apaixonou (Irene, interpretada por Carey Mulligan), bem com do filho desta.




A personagem à qual Ryan dá vida, não tem nome, é simplesmente "o condutor" (Driver) ou como diz Shannon (dono da oficina e uma espécie de amigo, interpretado por Bryan Cranston) - "o miúdo", tem uma interpretação extraordinária, marcada pela ausência de palavras, mas dominada pela expressão facial e corporal. Percebemos que aquela pessoa é primeiro que tudo - um solitário, tem dificuldade em lidar com o mundo e sobretudo com as pessoas. Envolto num misto de ternura e de violência extrema - tem na estrada,  uma casa e no carro, um amigo. 
A história do filme, já a vimos muitas vezes - um revoltado, bandidos, carros, perseguições, paixão, desconfiança, adrenalina, etc. Em Drive encontramos certos detalhes que já vimos em Bullit (1968) ou em The French Connection (1971), por exemplo. Existe ainda muita critica a considerar este filme como sendo do "género noir" - percebo a associação, mas não me parece que esse fosse esse o objectivo propositado de Refn. Sim, temos sombras, contrastes, corrupção, questões morais, clichés, mas, a meu ver, a personagem principal não tem como missão final a eterna premissa do "fim justifica os meios". É um justiceiro, mas na verdade é um violento e perturbado justiceiro. 
Para terminar, uma menção honrosa a Cliff Martinez e ao seu trabalho no que à banda sonora diz respeito. Complementa fabulosamente o filme, dá-nos uma sonoridade típica dos anos 80 - com aqueles acordes míticos, e cada nota é adequada àquilo que os nossos olhos contemplam. 
É um filme brutal, pela sua simplicidade e pela forma crua e dura como a expõe. Será uma referência a 2011 para sempre. 


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